Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra aumento de 7,5% nas mortes violentas intencionais no estado, enquanto o país registra o menor índice desde o início da série histórica, em 2012.
Enquanto o Brasil comemora a menor taxa de violência letal já registrada em mais de uma década, Rondônia segue um caminho preocupante. Os dados mais recentes revelam que, no estado, o número de mortes violentas voltou a crescer, reforçando o desafio das autoridades em conter a criminalidade e preservar vidas. Para quem convive diariamente com a insegurança, os números representam mais do que estatísticas: são famílias marcadas pela perda e comunidades impactadas pela violência.
De acordo com a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23), Rondônia registrou aumento de 7,5% nas mortes violentas intencionais em 2025, figurando entre apenas sete unidades da federação que apresentaram crescimento nesse indicador. No cenário nacional, a tendência foi justamente oposta.
Brasil alcança menor índice da série histórica
Segundo o levantamento, a taxa nacional caiu de 20,6 para 19,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, uma redução de 8,2% em relação a 2024.
Foi a primeira vez, desde o início da série histórica em 2012, que o índice ficou abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes. Naquele ano, a taxa era de 27,7.
Em números absolutos, o Brasil contabilizou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, contra 44.127 registradas no ano anterior.
O anuário considera nesse indicador os homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes decorrentes de intervenções policiais e mortes de policiais, tanto em serviço quanto fora dele.
Além de Rondônia, também registraram aumento nas mortes violentas o Rio Grande do Norte (19,6%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).
Homicídios diminuem, mas feminicídios crescem
O estudo mostra que houve redução de 10% nos homicídios dolosos em todo o país, além de quedas de 17% nos latrocínios e de 15,2% nas lesões corporais seguidas de morte.
Em contrapartida, aumentaram as mortes decorrentes de intervenções policiais, com alta de 5,4%, e os feminicídios, que cresceram 4% em comparação com o ano anterior.
Entre os estados que mais reduziram a violência letal estão Amazonas (-32,5%), Rio Grande do Sul (-25,7%), Mato Grosso (-23,2%), Piauí (-15,7%), Paraná (-15,5%), Minas Gerais (-14,2%), Goiás (-12,7%) e Santa Catarina (-11,1%).
Também apresentaram queda Bahia (-9,6%), Pernambuco (-9,3%), Espírito Santo (-8,4%), Ceará (-7,5%), Alagoas (-6,6%), Amapá (-5,9%), Paraíba (-3,9%), São Paulo (-3,9%), Pará (-3,7%), Sergipe (-3%), Tocantins (-2,2%) e Maranhão (-2,2%).
Feminicídios atingem maior proporção desde 2015
Outro dado que acende um alerta é o avanço dos feminicídios no país.
Segundo o anuário, 44,4% de todas as mulheres assassinadas em 2025 foram vítimas de feminicídio, o maior percentual desde que o crime passou a integrar o Código Penal, em 2015.
Ao longo do ano, 1.571 mulheres foram mortas em razão do gênero, uma média de 4,3 vítimas por dia. A taxa nacional chegou a 1,4 feminicídio por 100 mil mulheres, crescimento de 4% em relação a 2024.
As tentativas de feminicídio também aumentaram. Foram registrados 4.189 casos, alta de 5,9%, o equivalente a quase três tentativas para cada feminicídio consumado.
As maiores taxas de feminicídios consumados e tentados foram registradas nas regiões Centro-Oeste e Norte, com 9,8 e 8 vítimas por 100 mil mulheres, respectivamente. As menores ocorreram no Sudeste (4,2), Nordeste (4,8) e Sul (5,2).
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública reforçam que, embora o país apresente avanços importantes no enfrentamento da violência letal, a realidade não é a mesma em todas as regiões. Em Rondônia, o crescimento das mortes violentas evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes, investimentos contínuos em segurança e ações preventivas que protejam vidas. Afinal, por trás de cada número existe uma história interrompida, uma família enlutada e uma sociedade que segue esperando por dias mais seguros.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Rondoniagora













