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Sem Messi, quem vai assumir o comando da Argentina? Três nomes surgem para ocupar o espaço do camisa 10

Aposentadoria do craque da seleção abre uma nova era na Albiceleste, que terá de dividir entre diferentes jogadores o protagonismo deixado pelo maior ídolo de sua história.

Por mais de duas décadas, a Argentina soube exatamente para onde olhar quando precisava de uma resposta. Bastava procurar a camisa 10. Agora, pela primeira vez em muitos anos, o futebol argentino terá de aprender a caminhar sem Lionel Messi. O craque anunciou nesta segunda-feira (31) que não voltará a vestir a camisa da Albiceleste, encerrando um ciclo que mudou para sempre a história da seleção.

“Foi uma decisão que doeu e dói na alma, mas entendo que é o momento”, escreveu Messi ao comunicar a decisão. A despedida representa muito mais do que a saída de um jogador. É o fim de uma era construída ao longo de 21 anos, marcada por recordes, títulos, frustrações, redenção e, principalmente, pela transformação de Messi em uma das maiores referências da história do futebol argentino.

Um legado grande demais para um único jogador

A missão que se apresenta agora para Lionel Scaloni, caso permaneça no comando da seleção após o fim de seu contrato em dezembro, é uma das mais delicadas de sua carreira. Não existe simplesmente um jogador capaz de reproduzir tudo aquilo que Messi oferecia dentro de campo.

O camisa 10 era artilheiro, criador, assistente, organizador e, com o passar dos anos, também se tornou uma das principais vozes do vestiário. Sua influência ultrapassava os 90 minutos. Messi era uma espécie de bússola para uma geração de jogadores que cresceu acompanhando sua trajetória e que, ao lado dele, conquistou títulos que durante décadas pareceram distantes.

A Argentina levou anos para encontrar uma resposta depois da aposentadoria de Diego Maradona. Agora, a pergunta volta a aparecer com outro nome: quem será o novo rosto da Albiceleste?

A resposta, desta vez, provavelmente não estará em um único jogador.

Julián Álvarez pode assumir o protagonismo no ataque

Entre os candidatos, Julián Álvarez aparece como um dos nomes mais preparados para assumir uma parcela importante da responsabilidade.

Aos 26 anos, o atacante reúne características que podem fazer dele uma das principais referências ofensivas da seleção. Inteligente para ocupar espaços, eficiente na finalização e capaz de participar da construção das jogadas, Álvarez oferece uma combinação que vai além do simples papel de centroavante.

Sua capacidade de se movimentar e encontrar espaços em áreas congestionadas pode ser ainda mais importante em uma Argentina que precisará reorganizar sua maneira de atacar sem a presença de Messi.

Mas existe uma diferença fundamental. Álvarez não precisa tentar ser Messi.

O caminho mais natural para ele será construir a própria identidade e transformar o espaço deixado pelo camisa 10 em uma oportunidade para se tornar protagonista à sua maneira. Para isso, terá de ampliar também sua participação criativa e assumir uma postura de liderança compatível com a importância que deverá ganhar dentro da equipe.

Nico Paz representa a aposta no futuro

Se Julián Álvarez aparece como uma solução mais imediata, Nico Paz surge como uma das grandes esperanças para os próximos anos.

O meia chama atenção pela capacidade de conduzir o jogo, encontrar companheiros e manter o controle da bola mesmo sob pressão. Seu estilo criativo naturalmente alimenta comparações com Messi, especialmente pela maneira como enxerga espaços e tenta acelerar as jogadas.

Mas as diferenças também são evidentes.

Paz possui características físicas diferentes das de Messi e ainda precisa evoluir em aspectos importantes para se transformar em um jogador capaz de assumir o protagonismo absoluto de uma seleção. Também precisa ganhar mais experiência e confiança no cenário internacional.

A ausência de Messi, porém, pode abrir justamente o espaço que faltava para que uma nova geração deixe de ser apenas promessa e passe a ocupar um lugar central na história da Albiceleste.

Enzo Fernández pode herdar a liderança

Se existe um jogador que pode assumir parte da liderança deixada por Messi, esse nome é Enzo Fernández.

Tecnicamente, ele exerce uma função completamente diferente. Não é um substituto para o talento individual, os dribles ou a capacidade de criação do camisa 10. Seu papel está mais relacionado à organização do meio-campo, intensidade e controle do jogo.

Mas existe algo que não pode ser ensinado facilmente: experiência em grandes decisões.

Enzo conquistou a Copa do Mundo e a Copa América ao lado de Messi. Viveu dentro do vestiário a transformação da Argentina em uma equipe vencedora e conhece, por dentro, a responsabilidade de vestir a camisa da seleção.

Por isso, pode se tornar uma das principais referências do grupo. A liderança que antes tinha Messi como figura central agora poderá ser compartilhada por jogadores que fizeram parte daquela geração vencedora.

A Argentina terá de aprender a dividir o protagonismo

A saída de Messi também representa uma mudança de identidade. Durante anos, a Argentina teve no camisa 10 sua principal referência técnica e emocional. Mesmo quando a equipe contava com outros grandes jogadores, havia sempre a expectativa de que Messi pudesse decidir.

Agora, essa responsabilidade precisará ser distribuída.

Álvarez pode carregar parte da responsabilidade pelos gols. Nico Paz pode representar a criatividade e a renovação. Enzo Fernández pode assumir ainda mais espaço como liderança e equilíbrio no meio-campo. Outros jogadores também terão a oportunidade de aparecer e construir uma nova hierarquia dentro da seleção.

E talvez essa seja justamente a única maneira de preencher um vazio tão grande.

Messi não deixou apenas números. Deixou uma geração inteira acostumada a vencer e uma Argentina novamente acostumada a acreditar. Sua história com a seleção passou por derrotas dolorosas, críticas, renúncia, retorno e, finalmente, pelos títulos que transformaram sua relação com o país.

Por isso, talvez a pergunta não seja quem será o novo Messi. Porque outro Messi provavelmente não existirá. A verdadeira questão será descobrir como a Argentina conseguirá ser Argentina depois dele. O camisa 10 deixa a seleção, mas deixa também um legado tão gigantesco que a próxima geração terá uma missão que vai muito além de vestir a mesma camisa: terá de escrever, com os próprios pés, o próximo capítulo de uma história que Messi ajudou a tornar inesquecível.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução/X @argentina

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