Após o rompimento do cessar-fogo, ataques cruzados entre Estados Unidos e Irã atingem novos países, aumentam a tensão no Oriente Médio e acendem um alerta para impactos globais na segurança e na economia.
A cada novo bombardeio, cresce a sensação de que o Oriente Médio está mais próximo de um conflito de proporções imprevisíveis. O que começou como uma troca de ataques entre Estados Unidos e Irã agora avança para além das fronteiras dos dois países, envolvendo nações vizinhas, ameaçando rotas estratégicas do comércio mundial e ampliando o temor de uma guerra regional com reflexos em todo o planeta.
Nesta sexta-feira (17), a escalada ganhou novos capítulos. Enquanto os Estados Unidos intensificaram os bombardeios contra alvos iranianos, Teerã respondeu ampliando sua ofensiva e afirmou ter atacado bases militares americanas em sete países da região. As ações representam uma das maiores expansões do conflito desde o rompimento do acordo de cessar-fogo, ocorrido na semana passada.
Conflito ultrapassa fronteiras
Segundo o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), foram realizados ataques contra instalações militares dos Estados Unidos na Síria, Kuwait, Bahrein, Catar, Jordânia, Omã e Iraque.
Na Síria, o Irã afirmou ter atingido a base americana de Al-Tanf, próxima à fronteira com o Iraque. A informação, no entanto, não foi confirmada pelo Comando Central dos Estados Unidos, e há relatos de que a base teria sido desocupada meses atrás.
Em Omã, Teerã declarou ter destruído radares de monitoramento marítimo e aéreo utilizados pelos americanos, embora autoridades locais não tenham confirmado danos.
Na Jordânia, o governo informou que interceptou três mísseis iranianos antes que atingissem o território nacional. Não houve vítimas nem prejuízos materiais.
Já no Kuwait, além de alegar ter destruído sistemas de defesa aérea dos EUA, o Irã afirmou ter atacado posições militares americanas. O governo kuwaitiano confirmou apenas um incêndio em uma usina de energia e dessalinização, posteriormente controlado.
No Catar, explosões foram registradas na capital Doha. O Ministério do Interior informou que uma criança ficou ferida por estilhaços após a interceptação de projéteis. O Irã também afirmou ter atingido a Base Aérea de Al Udeid, principal instalação militar americana no país, informação que ainda não foi confirmada de forma independente.
No Bahrein, onde está sediada a Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, sirenes de alerta foram acionadas duas vezes durante a madrugada. O governo confirmou o estado de alerta, mas não detalhou eventuais danos.
No Iraque, um ataque com mísseis e drones matou nove integrantes de um grupo curdo-iraniano. Embora a Guarda Revolucionária não tenha reivindicado oficialmente a ação, a imprensa estatal iraniana noticiou o ataque.
Estados Unidos ampliam ofensiva
Enquanto o Irã expandia sua resposta militar, os Estados Unidos intensificaram os ataques contra a infraestrutura iraniana.
Bombardeios atingiram pontes, uma estação ferroviária e um aeroporto no sul do país. Segundo a mídia estatal iraniana, ao menos cinco pontes foram destruídas, deixando mortos e feridos. Também houve relatos de ataques nos portos de Bandar Khamir e Bandar Abbas, importantes pontos logísticos iranianos.
Pela primeira vez desde o início da nova fase do conflito, o Comando Central dos EUA informou que incluiu estruturas de logística militar entre seus principais alvos.
O presidente Donald Trump voltou a endurecer o discurso e afirmou que não descarta novos ataques de grande escala contra instalações estratégicas iranianas, incluindo possíveis operações terrestres caso considere necessário.
Disputa ameaça abastecimento mundial
Além dos confrontos em terra, a tensão também aumentou nas águas do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo.
Os Estados Unidos confirmaram que abordaram um navio-tanque para reforçar o bloqueio imposto ao Irã, enquanto outro cargueiro foi atingido por um projétil nas proximidades da costa de Omã.
Com a retomada dos confrontos, o fluxo de petróleo na região voltou a ser comprometido, impulsionando a alta do preço do barril, que já se aproxima dos US$ 85.
O cenário preocupa ainda mais porque o Irã voltou a ameaçar fechar também o estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, utilizando seus aliados Houthis, no Iêmen. Caso isso aconteça, duas das principais rotas marítimas de energia do planeta poderão ser afetadas simultaneamente.
Escalada aumenta temor internacional
Embora Estados Unidos e Irã tenham evitado, até agora, ataques de grande escala contra centros urbanos e infraestrutura civil, a ampliação dos alvos militares indica que os limites estabelecidos no início da guerra estão sendo gradualmente abandonados.
Especialistas avaliam que qualquer novo erro de cálculo poderá desencadear uma reação em cadeia envolvendo outros países da região, aumentando ainda mais a instabilidade geopolítica e os impactos sobre a economia global.
Mais do que uma disputa militar entre duas potências, o conflito passa a afetar diretamente milhões de pessoas que dependem da estabilidade da região para garantir energia, comércio e segurança. Em um cenário cada vez mais imprevisível, cada míssil lançado representa não apenas uma nova ofensiva, mas também um passo a mais em direção a uma crise que pode ultrapassar fronteiras e atingir o mundo inteiro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













