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Presidente do Irã defende fim da guerra enquanto Teerã ainda está em posição de força

 Masoud Pezeshkian afirma que seria melhor encerrar o conflito neste momento, enquanto autoridades militares iranianas prometem resposta devastadora a novas ameaças.

Em meio ao aumento das tensões e às incertezas sobre os próximos passos do conflito, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta sexta-feira (21) que seria melhor encerrar a guerra contra os Estados Unidos agora, enquanto Teerã ainda considera estar em uma posição de força e dignidade. A declaração sinaliza uma possível abertura para o fim das hostilidades, mas ocorre ao mesmo tempo em que autoridades militares iranianas elevam o tom das ameaças contra os adversários.

Segundo relatos da mídia estatal iraniana, Pezeshkian afirmou que seria preferível “encerrar a guerra hoje” enquanto o país mantém uma posição de força. A declaração foi divulgada pela agência estatal Mizan News Agency e pela agência semioficial ISNA.

Irã ameaça resposta a novas ofensivas

Enquanto o presidente fala em encerrar o conflito, o comando militar iraniano reforça a disposição para reagir caso novas ameaças sejam apresentadas contra o país.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, major-general Ali Abdollahi, afirmou que qualquer nova ameaça receberá uma resposta ampla e decisiva. Segundo a agência semioficial Mehr News Agency, ele declarou que as Forças Armadas estão preparadas para atuar em diferentes frentes, incluindo terra, mar, ar, defesa aérea e ciberespaço.

A Guarda Revolucionária Islâmica também afirmou na quinta-feira (20) que poderá utilizar armas consideradas mais destrutivas caso o conflito seja retomado. A declaração ocorreu depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que havia suspendido as negociações com Teerã.

Trump endurece pressão econômica

A tensão entre os dois países também se estende para o campo econômico. Trump afirmou na quarta-feira (19) que pretende aplicar as sanções financeiras mais duras da história contra o Irã, em uma estratégia que, segundo ele, busca pressionar e derrubar a atual liderança iraniana.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que apresentará na segunda-feira (24) detalhes das novas medidas. Trump também ameaçou impor consequências econômicas a países que oferecerem qualquer tipo de apoio financeiro ao Irã.

A medida amplia a pressão internacional sobre Teerã e aumenta a preocupação com os possíveis efeitos econômicos de uma escalada prolongada do confronto.

Parlamento iraniano também reage

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, que participa das negociações mediadas com os Estados Unidos, afirmou que Washington aparentemente concluiu que não conseguiria vencer um confronto militar direto.

Durante uma declaração no vizinho Iraque, Qalibaf também defendeu que o Irã desenvolva estratégias para enfrentar as sanções e acusou Estados Unidos e Israel de recorrerem ao que classificou como guerra econômica e “cognitiva”.

As declarações vindas de Teerã revelam um cenário marcado por mensagens aparentemente distintas: de um lado, o presidente iraniano fala na possibilidade de encerrar a guerra enquanto o país ainda se considera forte; de outro, autoridades militares deixam claro que qualquer nova ameaça poderá desencadear uma reação severa. Entre negociações interrompidas, ameaças militares e novas sanções, o caminho para a paz ainda permanece cercado de incertezas, enquanto o mundo acompanha com atenção cada movimento que pode definir os próximos capítulos desse conflito.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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